A afixação do Símbolo de Acessibilidades não garante que um sítio seja 100% acessível
A utilização deste Simbolo é um acto voluntário que demonstra, unicamente, um esforço em aumentar a acessibilidade desta página.

Castelo de Leiria


Interior da alcáçova Muralha da alcáçova Entrada Igreja de Nossa Senhora da Pena Paços Novos Exterior dos Paços Novos Varanda dos Paços Novos Torre Sineira Castelo de Leiria


Castelo de Leiria
Edificado em posição dominante sobre a cidade de Leiria, o medieval Castelo de Leiria, é um dos ex-libris da cidade. O monumento compreende, além da sua função original, militar, uma ala do antigo Palácio de D. Dinis, bem como as ruínas da sua igreja em estilo gótico.
Após a conquista de Leiria, em 1135, D. Afonso Henriques manda erguer o Castelo, cujo governo entrega a ao cavaleiro Paio Pires.
Fundamental ponto estratégico da Reconquista, o Castelo de Leiria sofreu vários ataques muçulmanos. Em 1144 foi restaurado e, mais tarde, o rei D. Sancho I manda então construir uma nova muralha capaz de proteger os seus súbditos.
A construção da torre de menagem acontece em 1324, durante o reinado de D. Dinis. Nesta altura, a fortaleza é adaptada a palácio, passando a servir de habitação ao rei e a sua mulher, a rainha Santa Isabel. Provavelmente terão então mandado construir a nova Igreja de Nossa Senhora da Pena
Em dois séculos o castelo de Leiria é duas vezes sujeito a obras de restauro. Primeiro em 1354, por ordem do Rei D. Fernando, são reparadas as muralhas e mais tarde, já no reinado de D. João I, aclamado em 1385, é feito um amplo restauro.
Apesar dos estragos provocados pelas invasões francesas, o Castelo de Leiria preserva, ainda hoje, a imponência que desde sempre o caracterizou.


Paços Novos ou do Castelo
O Paço é uma construção da Idade Média considerada das mais formosas do género em Portugal. Remodelado no século XX, constitui um exemplo ilustrativo das opções de restauro em Portugal entre 1930 e 1960.
Foram estes os Paços onde, provavelmente, se realizaram as Cortes de 1433, com o juramento do rei D. Duarte, e as de 1438, onde se pretendia encontrar uma solução para o desastre de Tânger que resultou na prisão de D. Fernando. Havia que decidir sobre sobre o prosseguimento ou não da expansão portuguesa em Marrocos.
Datado de 1385, o castelo de Leiria apresenta como elementos distintivos o brasão real de D. João I; dois eixos longitudinais internos e outros dois transversais, de que resulta uma funcionalidade medievo-palatina típica de câmara-aula-câmara; dois torreões erguidos até ao nível de um quarto piso, destacando-se no seu interior um amplo salão com três possantes arcos góticos.


Portas do Castelo
Portas românicas que alguns documentos medievais também designam de "Albacara" (étimo árabe que significa recinto de recolha de gado).
Constituíam, com outras portas militares desaparecidas, um caso de entrada em cunho ou em cotovelo, corrente no sistema defensivo militar muçulmano.
No embasamento das torres encontram-se algumas lápides romanas com inscrições, provenientes da antiga civitas romana de Collippo.
As Portas do Norte marcam o início das muralhas românicas de Leiria que envolviam um perímetro de cerca de cinco hectares.
Existiam já antes de 1152, dando acesso à desaparecida igreja paroquial de Santiago e à Ponte Coimbrã.
Compõem-nas duas fortes quadrigas de vigia e uma barbacã em cujo pórtico se encontra um dos brasões mais antigos do concelho de Leiria (séc. XIV).
Neste, em torno de um castelo, surgem dois pinheiros encimados por corvos, simbolizando a lenda da fundação de Leiria por D. Afonso Henriques.

Porta da Traição e Falsas Ruínas
Esta porta abre-se num pano de muralha ocidental quase totalmente restaurado na década de 1930.
Assinala o local da porta original dita da "Traição", que uma lenda local diz ter sido o acesso usado por cavaleiros de D. Afonso Henriques aquando de uma retomada do castelo aos muçulmanos.
Observam-se também "falsas ruínas" características das opções de restauro do monumento nos anos 1930/50


Igreja de Nossa Senhora da Pena
Fundada por D. Afonso Henriques, a Igreja de Nossa Senhora da Pena foi, no século XII, Igreja Matriz do priorado de Leiria.
No século XIV e durante todo o século XV, sofreu profundas reformas que a adaptaram a capela palaciana.
A simbologia heráldica do então rei de Portugal, D. João I, com a repetição da sigla gótica "Y" nos capitéis e na abóbada da capela-mor são características desta reforma.
Na primeira metade do século XVI, a Igreja de Nossa Senhora da Pena foi novamente remodelada. Dessas obras resta ainda a sacristia contígua com mísulas manuelinas. Esta Igreja está situada no castelo.
Apresentando um estilo de arquitectura religioso / Gótico, tem como elementos distintivos a Capela-mor, portal e arco manuelino góticos; dois túmulos laterais, abobadados por arcos ogivais tardo-góticos;

Sé de Leiria
A Sé de Leiria é o maior monumento religioso da cidade. Construída na segunda metade do século XVI, é um exemplo das construções militares de que era especialista o seu arquitecto, Afonso Álvares. Após o terramoto de 1755, foi reconstruída impondo-se hoje em robustez e austeridade.
Na obra de Eça de Queirós, "O Crime do Padre Amaro", Amaro é o pároco da Sé de Leiria que "...lamentava então que a Sé fosse uma ampla estrutura de pedra de um estilo frio e jesuítico".
A Sé de Leiria tem como elementos distintivos a sua grandiosidade estética; nomeadamente através da capela-mor com retábulo constituído por pinturas do artista Simão Rodrigues, transepto com imagens de São José e de Nossa Senhora de Fátima, capelas do Santíssimo e da Nossa Senhora das Dores, seis lápides tumulares de bispos, sacristia e claustro.


Enquadramento histórico
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a região de Leiria constituía, no século XII, um ponto nevrálgico da defesa da fronteira sul do Condado Portucalense.
Ao consolidar o seu governo a partir de 1128, o jovem D. Afonso Henriques (1112-85), planeou alargar os seus domínios, então limitados a norte pelo rio Minho a sudoeste pela serra da Estrela e a sul pelo rio Mondego. Para esse fim, a partir de 1130, invadiu por diversas vezes o território vizinho da Galiza a norte, ao mesmo tempo em que se mantinha atento à fronteira sul, constantemente atacada pelos muçulmanos.
Para defesa desta linha sul fez erguer, de raiz, um novo castelo entre Coimbra e Santarém (1135), no alto de uma elevação rochosa, um pouco ao sul da confluência do rio Lis com o rio Lena, a cuja guarnição, sob o comando de D. Paio Guterres, foi confiada a defesa da nova fronteira que ali tentava firmar. À povoação que também iniciava, e que passaria a designar o respectivo castelo, chamou de Leiria. Dois anos mais tarde, a povoação e o seu castelo foram assaltados pelos almoádas, que se aproveitaram de uma investida das forças de D. Afonso Henriques à Galiza (1137). Após uma encarniçada resistência Paio Guterres e seus homens foram forçados a abandonar as suas posições.
De volta ao reino, o monarca organizou uma contra-ofensiva para conter o avanço dos mouros, cujas forças combinadas derrotou na épica Batalha de Ourique (1139). Ao final desse mesmo ano, os muçulmanos, cientes de que o monarca português havia encetado nova campanha contra o rei de Leão, na Galiza, atacaram e novamente conquistaram Leiria e seu castelo, cujos defensores, na ocasião, sofreram pesadas baixas. De volta às mãos de D. Afonso Henriques, o monarca determinou a reconstrução e reforço da estrutura do castelo, acrescentando-lhe uma Capela sob invocação de Nossa Senhora da Pena (1144).
Com o desenvolvimento da povoação, foi-lhe dado Foral. No reinado de D. Sancho I (1185-1211), este monarca confirmou-o (Foral Novo) e fez ampliar a cerca defensiva da povoação (1195). A vila já era tão importante, à época, que foi a sede das Cortes de 1254, convocadas por D. Afonso III (1248-1279).
Outros monarcas dedicaram atenção a Leiria, destacando-se D. Dinis (1279-1325), que ali residiu por diversas ocasiões, vindo a doar, em 1300, à rainha Santa Isabel, a vila e o seu castelo, escolhidos para a criação de seu herdeiro, o princípe D. Afonso. É a D. Dinis que devemos o início da construção da poderosa torre de Menagem (1323), estrutura que ficou incompleta em virtude do seu falecimento.
Em 1545, a vila de Leiria foi alçada à condição de cidade por D. João III (1521-57).
No século XVII, ao raiar a Restauração (1640), o Castelo de Leiria foi uma das primeiras fortificações a erguer o pendão de Portugal.


Este documento foi reproduzido a partir da Enciclopédia livre Wikipedia. Pode copiar, distribuir e/ou modificá-lo segundo os termos da GNU Free Documentation License.

Download deste texto



|  Avisos Legais  |  Ficha Técnica  |  Webmaster  | Desenvolvido por Liz-Online, SA